São Paulo
Rapidinha com o Uia: Thiago Pethit
Por: Uia Diário
28 de março de 2019


thiago pethit por rafael barionThiago Pethit não é apenas um dos cantores mais reconhecidos no Brasil nos últimos anos. Ele também se lança em projetos audiovisuais, não é de hoje. Agora ele acaba de lançar seu quarto álbum, Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação), um conjunto de canções para tempos escuros, com uma série de áudio vídeos.

Sua trajetória teve início com o EP Em Outro Lugar (2008). Dois anos depois, Berlim, Texas (2010), seu disco de estreia, produzido por Yury Kalil, rendeu o prêmio Aposta MTV no VMB. Estrela Decadente (2012), seu álbum seguinte, contou com a produção de Kassin e participações de Mallu Magalhães e Cida Moreira. No ano seguinte, Pethit uniu-se ao diretor de cinema Heitor Dhalia na produção do clipe curta metragem da canção Moon, que catapultou a carreira do artista. O terceiro álbum, Rock ‘n’ Roll Sugar Darling (2014), veio um ano depois e contou com a participação especial de Joe Dallesandro, ator fetiche de Andy Warhol, personagem da música Walk on the Wild Side, de Lou Reed e capa do disco Sticky Fingers, dos Rolling Stones. O disco ganhou dois clipes, Romeo e 1992, ambos filmados em Los Angeles. Em 2016 ele viveu o protagonista Diego no primeiro-longa metragem dirigido por Vera Egito, Amores Urbanos.

No novo disco, ao longo de nove faixas, Thiago Pethit canta sobre a ausência de amor e esperança em uma São Paulo mitológica, onde lugares reais, como a Praça da República e o Edifício Copan, viram cenários para Pethit recriar o mito de Orfeu. Com o subtítulo Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação, o disco reimagina o herói grego, cantor e poeta como um personagem urbano. Voltando de sua temporada no inferno em busca de Eurídice, ele se depara com um país em luto em pleno Carnaval, enfrenta seus demônios nas ruas da República e tem seu coração devorado pelas Bacantes nos bares da Consolação.

Mal dos Trópicos se inspira em clássicos do jazz, nas composições eruditas de Villa-Lobos, nas batidas do trip hop e nas poesias do paulistano Roberto Piva, poeta maldito dos anos 70/80. Além disso, tem participação orquestral do violista Marcelo Jaffé e de músicos do reverenciado Quarteto da Cidade de São Paulo, além do pianista pernambucano Zé Manoel, da cantora e compositora Maria Beraldo no clarinete, sua irmã, Marina Beraldo Bastos na flauta e Badé na percussão. O resultado são canções atmosféricas, de clima cinematográfico, e, ainda assim, profundamente brasileiras.

Aproveitando o lançamento desse novo trabalho, fizemos uma Rapidinha com ele:

Uia: Qual a boa em São Paulo?
Thiago Pethit: As festas, sobretudo as de rua. Minhas preferidas são: Mamba Negra e Tenda e qualquer outra que acolha públicos diversos mais democráticos. Festas criadas por coletivos de mulheres, e/ou gays onde todos podem ficar a vontade, as gays, as trans, as pretas, todas podem e brilham.

Uia: E uma roubada?
TP: Qualquer situação em que você se coloca dentro de um carro. Não só pelo transito, mas porque o carro te isola da cidade, sem contato com a rua e com as pessoas. Tudo fica ainda mais feio em SP quando você está dentro de um carro.

Uia: Uma trilha sonora pra São Paulo.
TP: São Paulo 2019 tá uma coisa meio Bach, triste.

Uia: Qual o último show que você viu na cidade?
TP: Foi um show da Ivana Wonder, na Festa A Tenda.

Uia: O que te tira o sono em SP?
TP: Os eleitores do Dória e os resultados disso para a cidade. Isso me desanima em viver aqui.

Uia: Alguma solução pra voltar a dormir em paz?
TP: Eu tomo Dramin há mais de 10 anos (Mas não recomendo, fale com o seu médico!).

Uia: Um rosto e/ou voz pra São Paulo.
TP: É gente demais, rostos e modos demais, cores e tipos e vozes. São Paulo teria que ser um quadro como Os Operários de Tarsila Amaral.

Uia: Um espetáculo que você gostaria de ver na cidade.
TP: Já muitas vezes e veria novamente: As Bacantes do Teatro Oficina Uzyna Uzona.

Uia: Qual bairro você homenagearia numa canção?
TP: Moro há quase 3 anos na Santa Cecília e dediquei meu disco ao bairro. ‘Orfeu’ também faz referências a Republica, Consolação… O centro de SP é inspirador.

Uia: Uma frase que defina São Paulo.
TP: São Paulo não é exatamente amor, é identificação absoluta.

 

*Foto: Rafael Barion

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