São Paulo
Rapidinha com o Uia: Kastrup
Por: Uia Diário
03 de outubro de 2018


 

Os últimos dois anos foram de bastante reconhecimento pra Kastrup. O baterista, percussionista e produtor musical carioca, radicado em São Paulo, tem mais de 20 anos de carreira e fez a direção musical do premiado álbum ‘A Mulher do Fim do Mundo’ (2015), de Elza Soares, além da produção musical do novo disco da cantora, ‘Deus é Mulher’ (2018) e direção musical do show dos dois trabalhos.

Mas antes disso, Kastrup trabalhou com nomes como Adriana Calcanhoto, Arnaldo Antunes, Chico César, Maria Bethânia, João Donato, Ney Matogrosso, Tom Zé, Zeca Baleiro, Naná Vasconcelos, Marcos Suzano, Jorge Drexler (Uruguai), Roberto Fonseca (Cuba), Tokiko Kato (Japão) e Krishna Das (EUA), entre muitos outros. E há 17 anos ele tem seu próprio estúdio, Toca do Tatu. Ou seja: o cara tem bastante conhecimento de causa.

Em 2013 ele lançou seu primeiro trabalho autoral, ‘Kastrupismo’, e em 2014 o álbum ‘Sons de Sobrevivência’, em trio com os parceiros Benjamim Taubkin (piano) e Simone Sou (percussão).

No próximo dia 17 de outubro, Kastrup lança o álbum ‘Ponto de Mutação’, em show no SESC Pompeia. O disco (que chega às plataformas digitais no dia 12) reúne 25 músicos da cena contemporânea brasileira, como Kiko Dinucci, Ná Ozzetti, Marcelo Cabral, Alessandra Leão, Bixiga 70, Swami Jr, Elza Soares, entre outros, e nasce de uma inquietação individual do músico e produtor, provocada pela convulsão sociopolítica que assolou o Brasil em 2016. “Parte do caos de nossos dias para uma virada da nova era. O início é a constatação do colapso do ideal capitalista e no estímulo a reação pelas palavras sampleadas dos pensadores Noam Chomsky e Malcom X, em Reaction, respondida na faixa Ação & Liberdade, que fala sobre o princípio da ação a partir de uma ideia, com samples de Elza Soares; em Ponto de Exu pede licença aos orixás, na voz de Alessandra Leão, para que se abram os caminhos; faz a curva para a ascendência de uma nova civilização em Ponto de Mutação, que conta com o ‘batalhão’ feminino, formado por Ná Ozzetti, Lenna Bahule e Alessandra Leão, questiona e sugere um caminho, em Por Onde e passa por ingredientes necessários a essa transformação, em Hibridação, Transmutação e Mídia Deshipinoise, desembocando finalmente em Bola pra Frente, com Coragem”, conta.

O mapa desenhado por Kastrup sugere um caminho para a audição do álbum, que se transformou em uma plataforma transmídia, uma alternativa para as atuais experiências auditivas.

Enquanto aguardamos o lançamento, fizemos uma Rapidinha com ele:

Uia: Qual a boa em São Paulo?
Kastrup: Casa de Francisca.

Uia: E uma roubada?
K: Habib’s.

Uia: Uma trilha sonora pra São Paulo.
K: Reaction.

Uia: Qual o último show que você viu na cidade?
K: Arismar do Espírito Santo no festival O Povo Pode na ocupação 9 de julho. Recomendo a todos visitarem a ocupação que agora tem a exposição Alma de Bronze da Virgínia de Medeiros.

Uia: E último filme que assistiu?
K: Réquiem for the American Dream, do Noam Chomsky.

Uia: O que te tira o sono em SP?
K: O fascismo.

Uia: Alguma solução pra voltar a dormir em paz?
K: Mais poder ao Feminino. Menos ódio e mais amor (por favor).

Uia: Um rosto e/ou voz pra São Paulo.
K: Kiko Dinucci.

Uia: Um espetáculo que você gostaria de ver na cidade.
K: Gira, do Grupo Corpo com trilha do Metá Metá.

Uia: Qual bairro você homenagearia numa música?
K: Vila Ipojuca.

Uia: Uma frase que defina São Paulo.
K: “A força da grana que ergue e destrói coisas belas” (Caetano Veloso).

(Foto: Gal Oppido)
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