São Paulo
O Rei Batuqueiro da Baixada Santista
Por: Renato Dias
01 de junho de 2015


Mont Serrat (foto Francisco Carbalia)Durante o século XVIII, na encosta do Mont Serrat, na Vila Mathias (Sopé do Morro), cidade de Santos (SP), entre fontes e banbuzais aconteciam memoráveis rodas de samba batucadas por africanos comandada por Pai Felipe. Os negros escravizados conduziam o jogo de pernadas e rezas fortes tendo “O Rei Batuqueiro”, Pai Felipe, como precursor do samba na baixada santista.

 

Esses encontros de batuqueiros fortaleceram o cenário em Mont Serrat até as décadas de 1930, 1940 e 1950, onde surge um grande nome do samba e do jogo de pernada, Daniel Feijoada (tio do Mestre Feijoada, falecido em 2007, último apitador do Cordão Vai-Vai, tradicional escola de samba da pauliceia).

 

Entre festas e cortejos em devoção à padroeira, surge em Santos, no ano de 1933, a primeira agremiação carnavalesca da cidade, a “Arrasta Sandália”, com com características de escola de samba, o que podemos chamar de “rancho-escola”. Ela foi fundada pelas tias Euclydia e Lydioneta, que promoviam rodas de samba e desfilavam em cortejo no carnaval. Daí em diante, outras entidades carnavalescas surgem na baixada, entre elas a “NÃO É O QUE DIZEM”, na década de 1940, durante a guerra, e a primeira a se auto-denominar escola de samba na cidade.

 

Esse enxame de agremiações culturais se deve muito à semente plantada por Pai Felipe e o cântico de resistência afro-bantu da baixada sambista.

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Renato Dias é compositor, pesquisador do samba paulista e fundador do G.R.R.C. Kolombolo diá Piratininga. Escreve mensalmente aqui sobre a influência da cultura paulista na cultura paulistana.

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