São Paulo
O centenário de Billie Holiday
Por: Luciano Malásia
07 de abril de 2015


Billie HOLIDAYNo momento em que sento para escrever minha coluna para o estimado Uia Diário, deparo-me com a informação de que a lendária Billie Holiday estaria completando 100 anos.

 

Nascida em Baltimore no dia 7 de abril de 1915, Billie é considerada a mais importante cantora de jazz de todos os tempos. Nascida negra e pobre na primeira metade do século 20, ela foi vítima de abandono e maus tratos e acabou se prostituindo quando foi morar com sua mãe em Nova Iorque. Sua única alegria era cantar a plenos pulmões.

 

Sem nunca ter estudado canto de maneira  formal, ela costumava cantar músicas de Bessie Smith e Louis Armstrong. Em 1930, conseguiu convencer um dono de boate a mostrar seus dotes e foi contratada no ato. Em 1933, foi notada pelo influente crítico musical John Hammond, que conseguiu que ela gravasse seu primeiro disco com a orquestra de Benny Goodman.

 

Billie  tinha uma voz ao mesmo tempo áspera e cristalina, levemente rouca que carregava muita emoção em suas interpretações. Sua elegância vocal a aproximou do estilo relaxado do saxofonista Lester Young, de quem se tornou grande amiga e parceira musical. Ela o chamava carinhosamente de Pres (diminutivo de presidente). Foi ele que a apelidou de Lady Day.

 

Apesar do talento brilhante, a vida pessoal de Billie era cheia de problemas. Seu comportamento rebelde e até avançado para a época culminou com o vício em álcool e heroína, o que a partir da década de 40 começou a influenciar negativamente em sua carreira.

 

Lançou no final de sua vida uma autobiografia que fez um tremendo sucesso. Lady Sings The Blues acabou virando filme em 1972, estrelado por Diana Ross, que levou um Globo de Ouro pela interpretação.

 

The Many Faces of Billie Holiday é um documentário que me pareceu menos emocional que o filme e esclarece algumas passagens da vida desta entidade tão importante para a história do jazz.

 

 

Quanto à discografia fica difícil escolher algo para indicar. Tudo o que ela gravou é tecnicamente impecável e emocionalmente lindo. Mas sua interpretação para Strange Fruitb arrepia. Muita coragem cantar uma música que condena o linchamento de negros numa época em que isso era rotineiro e a segregação racial era socialmente aceita.

 

 

Longa vida ao legado artístico de Lady Day.

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