São Paulo
I love Heliópolis
Por: Luciano Malásia
09 de junho de 2015


heliopolisEm minhas andanças tenho notado o poder positivo de mudança que a educação aliada à cultura e demais formas de arte traz para a vida dos indivíduos.

 

Tenho muito interesse em trabalhar com o terceiro setor e já fiz cursos e participei de oficinas, debates,vivências e outras atividades relacionadas a esse setor. Tenho acompanhado um tanto incrédulo alguns debates políticos nos facebook da vida. Pessoas falando muito mal de iniciativas sociais que desconhecem a partir de uma visão superficial do trabalho das ONGs e outros organismos que atuam diretamente no auxílio às necessidades da parcela mais carente da população.

 

Generalizações são um erro que têm origem na falta de conhecimento.

 

Buscar alternativas que possibilitem diminuir o abismo entre os muito ricos e os muito pobres parece ser a única alternativa viável para unificar o país, consolidar nosso crescimento e diminuir os índices de violência que assolam nosso dia-a-dia.

 

Meu ponto de vista pode parecer utópico, mas meu relato é baseado em experiências de campo que traduzem meu otimismo.

 

Desde meados do ano passado tenho tido a oportunidade de observar de perto o trabalho do arte educador Sylvio Ayala. Além de ser um amigo e conterrâneo que acabou se tornando quase um familiar, ele me auxiliou no desbravar da selva de pedra paulistana e tem me ajudado a desenvolver habilidades que eu nem acreditava possuir.

 

O Sylvio acumula funções de professor, grafiteiro, rabiscador, editor independente, fanzineiro, ativista periférico, gestor de projetos socioambientais, oficineiro e um tipo de caça talentos abandonados nas regiões mais profundas desta megalópole.

 

Com sua visão aguçada e talento nato para ensinar através da arte, ele tem desenvolvido um trabalho muito consistente e bonito em que aprimora o senso crítico de seus jovens educandos e os encaminha para que possam buscar sua própria forma de pensar e agir neste mundo globalizado.

 

Convidado por ele, fui um dia com o talentoso amigo Udi Fagundes participar de um bate-papo com os jovens do projeto chamado Jovens Alconscientes. Conheci Heliópolis e o trabalho que a Unas desenvolve na região. E acabei me envolvendo.

 

Heliópolis é um bairro localizado no distrito do Sacomã, zona sudoeste de São Paulo. Heliópolis é reconhecidamente a maior favela da cidade. O surgimento de Heliópolis segue à risca a trajetória padrão do surgimentos de todas as favelas: motivado pelo poder econômico que investe na expansão da cidade no início da década de 1970, pessoas são deslocadas de construções precárias para locais com infraestrutura nenhuma em alojamentos provisórios que acabam se tornando definitivos.

 

Atualmente, em sua área, vivem cerca de 200 mil habitantes, a maioria de origem nordestina. De acordo com dados da prefeitura de São Paulo, Heliópolis possui 18.080 imóveis. A maior parte dos barracos se transformou em construção de alvenaria. Hoje 90% do bairro conta com infraestrutura urbana, como serviços de água, esgoto, energia elétrica e coleta de lixo. Grande parte desta população é jovem e a estrutura familiar da maioria das famílias consiste na mãe como provedora.

 

Dentro desta realidade marginalizada, surge em meados da década de 1980 a UNAS – União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região. Focada na luta pelo direito à moradia e regularização fundiária dos moradores do local, essa entidade sem fins lucrativos acaba assumindo os deveres do Estado e tem sido o motor do desenvolvimento cultural e social, dando suporte à implementação de projetos, programas e serviços de forma abrangente nas áreas de educação, saúde, moradia, cultura, esporte, desenvolvimento social, economia solidaria, geração de renda e sustentabilidade, com base nos tratados de Direitos Humanos, impactando mais de 7.300 pessoas diretamente.

 

Fui convidado a fazer parte de um projeto chamado REDES E RUAS e pude conferir de perto como é importante esse tipo de trabalho em um local que tem tantas carências e necessidades.

 

Através desta vivência pude estar presente na inauguração do CEU Heliópolis Profª Arlete Persoli. Essa obra de extrema importância para a comunidade transformou um grande terreno que era usado como cemitério de veículos abandonados pela prefeitura em um gigantesco aparelho de educação, arte e cultura, que só foi realizado graças à luta ferrenha da comunidade.

 

Com projeto criado pelo renomado Ruy Ohtake, o local disponibiliza creches, escolas, biblioteca, ginásio, auditório, teatro, quadras poliesportivas e locais de lazer que são utilizados pela população do local:

 

 

Me sinto muito honrado em poder conhecer esse lugar e trocar experiências com pessoas tão carentes e ao mesmo tempo tão batalhadoras.

 

E o trabalho deles está tão em evidência que o Facebook doou um laboratório tecnológico completo de última geração para buscar talentos na comunidade.

 

Aqui no neste link você pode saber como doar para manter essas iniciativas de fundamental importância para a comunidade.

 

Por que na vida real nada é feito sem dinheiro.

 

Procure saber.

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