São Paulo
Geraldo Filme – a Negra Voz do Samba Paulista
Por: Renato Dias
26 de agosto de 2015


geraldo_filmeSegundo o próprio compositor, Geraldo Filme de Souza nasceu em 1927, em São Paulo, e foi registrado na cidade de São João da Boa Vista, no interior paulista, no ano seguinte. Conhecido no mundo do samba como “Geraldão da Barra Funda” ou como “Corvão”, foi, sem dúvida, o sambista mais engajado nas lutas sociais, na cultura do samba paulista e na valorização de sua africanidade.

 

Dotado de genialidade e da inquietação dos verdadeiros, assim foi a sua trajetória na pauliceia do filho de dona Augusta, uma das fundadoras da extinta escola de samba Paulistano da Glória, do bairro da Liberdade, região central da capital.

 

Geraldão frequentou as rodas de tiririca no Largo da Banana, na Barra Funda, conviveu com os griôs urbanos do samba, vivenciou e conviveu com batuqueiros do Cordão dos Campos Elisios, imprimiu enredos e sambas de enredo imortais em escolas de samba tracionais. Na Unidos do Peruche, por exemplo, fez os sambas “Tradições e Festas de Pirapora” (1971), “Festival do Rei Café” (1970), e outros. Na Vai Vai, eternizou “Solano Trindade, o Menino do Recife” (1976) e o próprio hino da escola, “Tradição”. No Paulistano da Glória, fez o clássico “Oração em Tempo de Festa” ( 1977 ) etc.

 

Ao lado do dramaturgo, ator e escritor Plínio Marcos e dos sambistas Toniquinho Batuqueiro e Zeca da Casa Verde, gravou o lendário album “Em Prosa e Samba – Nas Quebradas do Mundaréu (1974). Participou, também, do “Balbina de Iansã” (1971) e do “Canto dos Escravos” (1982), além de ter gravado seu disco solo “Geraldo Filme” (Eldorado, 1980), uma edição do programa Ensaio da TV Cultura (1992) e foi tema do filme de Carlos Cortez.

 

Sua dedicação ao samba fez dele um artista único. Homem de profunda sabedoria, herdada de seus ancestrais, carregou em sua alma a dialética bantológica. Em demandas, rituais e liturgias, Geraldo Filme invocou sua matriz e foi a negra voz do seu povo, entre concreto, roças e sotaques, manifestando a sua “Reecarnação” – obra que, ao lado de “Negro Drama”, de Mano Brown e Edi Rock, celebra a africania paulista.

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Renato Dias é compositor, pesquisador do samba paulista e fundador do G.R.R.C. Kolombolo diá Piratininga. Escreve mensalmente aqui sobre a influência da cultura paulista na cultura paulistana.

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