São Paulo
A falange do Cafundó
Por: Renato Dias
03 de abril de 2015


negro_rachando_lenha_cafundoA saga africanista na terra da garoa tem em sua trajetória conquistas, lutas e luto. No estado de São Paulo, muitos quilombos manifestam sua ancestralidade e o sangue derramado por séculos e séculos ainda escorre pelas vielas e becos dos atuais quilombos urbanos, com a matança da juventude negra – um etnocídio com respaldo do estado.

 

Os dialetos periféricos e os códigos da cupópia ou falange, língua falada no Cafundó – comunidade rural negra situada em Salto de Pirapora, a 150 Km da capital paulista, formada nos tempos da escravidão – é um retrato da mais verdadeira resistência. Essa “língua secreta” tem na sua formação um léxico de origem bantu, do kimbundu em particular.

 

Os traços de sua singularidade são fundamentais para sua sobrevivência e tal valor o “cafombe” (homem branco), mesmo com o uso da “quéri” (revólver), não vai apagar. Falar a falange é fazer-se africano. A vitalidade exposta nesse contexto de isolamento e os “sinais diacríticos dos falantes” reencarnam a sabedoria dos afro-bantos, sob a sagração de Nzambi Npungu.

 

“Curimei vavuro orombogue nâni! No quilombo que vai cuendar, vimbundo vai curimar, orombogue nâni!”

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Renato Dias é compositor, pesquisador do samba paulista e fundador do G.R.R.C. Kolombolo diá Piratininga. Escreve mensalmente aqui sobre a influência da cultura paulista na cultura paulistana.

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