Porto Alegre
Local:
Teatro Popular da Terreira da Tribo
Rua Santos Dumont, 1186

Horário:
Das 20h às 21h30
$
De R$20 a R$40
Ingresso
Teatro
Meierhold

“Meierhold” é a nova encenação coletiva da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz com estreia marcada para 29 de novembro, na Terreira da Tribo (rua Santos Dumont 1186). “Meierhold” é uma adaptação livre de “Variaciones Meyerhold” do dramaturgo, ator e psicanalista argentino Eduardo Pavlovsky. No centro da encenação o célebre ator, diretor e teórico russo – Meierhold – cujo discurso inovador e revolucionário o transformou em um dos maiores pensadores do teatro mundial. Ao completar o seu quadragéssimo ano de trajetória a Tribo homenageia dois Mestres da cena contemporânea e do teatro latino-americano: Meierhold e Pavlovsky. O espetáculo realiza temporada quinta, sexta e sábado, sempre às 20 horas, até 22 de dezembro. Durante a temporada estará aberta ao público em geral, de terças-feiras aos sábados, das 15 às 19 horas, a exposição ’40 anos de Utopia, Paixão e Resistência’, uma mostra de fotos, cartazes, figurinos e adereços que contam a história da Tribo.

“Meierhold” mostra o encenador russo num tempo fora da realidade, póstumo, como um espectro que reflete sobre o seu discurso artístico e os relaciona com momentos dramáticos de sua trajetória pessoal, sujeito ao carcére, tortura e humilhações até o seu brutal assassinato pelas autoridades da Rússia stalinista. Na encenação estruturada em fragmentos, Meierhold passa de pensamentos em voz alta a relatos e diálogos imaginários com diferentes interlocutores, como com a sua amada, a atriz Zinaida Reich, também assassinada tragicamente. O espetáculo utiliza-se de diferentes linguagens e recursos, inclusive audiovisuais, fragmentos de poesias surrealistas e cenografia construtivista que remete à utilizada pelo próprio Meierhold. A cenografia é uma adaptação do dispositivo cênico criado por Liubóv Popóva para “O Corno Magnífico” dirigida por Meierhold. Na encenação estão também presentes elementos dos estudos e experimentos de Meierhold como o grotesco, o teatro popular de feira e a biomecânica. Ligado num primeiro momento ao Teatro de Arte de Moscou dirigido por outro grande do teatro russo: Stanislavski, Meierhold abandonou cedo a via naturalista para construir a sua própria concepção dramática – que denominou “teatro da convenção consciente”– e seus trabalhos experimentais lhe permitiram desenvolver a teoria da biomecânica, um rigoroso método de preparação do ator que tenta explorar ao máximo suas possibilidades físicas e psíquicas. Vsevolod Emilevich Meierhold (1874-1940) elaborou também uma encenação revolucionária e instaurou os princípios do moderno conceito de montagem. Em “Meierhold” este homem velho, confinado e exposto à tortura fisíca “por um problema estético”, vê o tempo desorientar-se dentro e fora da sua cabeça. Reclama que até os exercícios de sensibilização do corpo são questionados pelos guardiões do regime. Coerente com seus princípios, Meierhold enfrentou, sem jamais se curvar e ceder, a pressão de um sistema autoritário e absoluto contra a liberdade de criação artística, terminando por cair vítima de sua própria honestidade de artista, da intransigência com que lutou em defesa das suas ideias nos dias sombrios que se abateram sobre a sociedade e as artes russas. A história de Meierhold não deixa de nos colocar em questionamentos sobre o momento e o lugar em que vivemos. A dinâmica da encenação busca perguntar aos espectadores como Meierhold nos afeta e nos comove no sombrio Brasil de hoje. Eduardo “Tato” Pavlovsky (1933-2015) é conhecido no país pelas suas peças “Senhor Galíndez”, “Telerañas”, “Potestad”, “Passo de dos” e “Rojos Globos Rojos”.

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