Porto Alegre
Local:
Fundação Iberê Camargo
Avenida Padre Cacique, 2000
Porto Alegre
(+55 51) 32478000
Horário:
das 14h às 19h
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Grátis
Artes Visuais, Exposição, Pintura
Exposição Itinerância | Iberê Camargo: NO DRAMA

Texto de: Eduardo Haesbaert e Gustavo Possamai

A exposição NO DRAMA apresenta um recorte ficcional da obra de Iberê Camargo — o artista em diálogo com a literatura, o teatro, a dança, a música e o cinema.

Leitor constante e curioso desde a juventude, quando ainda vivia no interior do Rio Grande do Sul, Iberê fez da literatura parte de sua vida. Os livros lhe traziam o mundo e era com as coisas do mundo que ele queria dialogar, na busca de constante aprendizado e renovação.

A relação Personagem-Ato-Cena também acompanha Iberê Camargo desde as suas primeiras pinturas, quando o artista instalava-se com o cavalete na paisagem externa e a transfigurava em uma imagem pintada. Mais tarde, no interior do ateliê, seria através do modelo vivo e do elemento da bicicleta que ele desenvolveria as suas “cenas”, transportando estas figuras para o mundo.

É para essa experiência com a ficção  com o Drama  que as obras desta exposição apontam, refletindo a aproximação apaixonada de Iberê com autores de outros campos das artes.

Exemplos disso são os estudos de figurinos e cenários para Rudá, poema sinfônico e balé de Heitor Villa-Lobos que exploram a poesia dos trópicos; a pintura da série Tudo te é falso e inútil, cujo título tem origem no poeta Fernando Pessoa; os desenhos a partir das Lendas do Sul, de João Simões Lopes Neto, que dão corpo à fabulação sobre a origem do gaúcho; as pinturas em fórmica apresentadas, aqui, em um painel interativo, baseadas na lenda da Salamanca do Jarau, do mesmo autor; os guaches a partir de encenação da peça O Homem com a Flor na Boca, do italiano Luigi Pirandello, que revelam o trágico e o absurdo, e As Criadas, de Jean Genet, outra série que dá gesto à perversão tão cara ao dramaturgo.

Dois curta-metragens exibidos na exposição registram a criação artística de Iberê Camargo: Pintura, pintura, de Mário Carneiro, e Presságio, de Renato Falcão, ambos diretores de fotografia ligados ao cinema.

Como uma síntese, a obra intitulada O delírio apresenta-se, aqui, como autorretrato do artista, uma auto-ficção embalada pelo Teatro do Absurdo. Enfim, Iberê como ator: em cena, na performance, no Ato.

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