Porto Alegre
Local:
Fora da Asa
Rua José do Patrocínio, 642
Porto Alegre
Horário:
das 19h15 às 22h15
$
Grátis
Cinema, Palestra
Cinedebate LGBT

UM DIA MUITO ESPECIAL (Ettore Scola, 1977)

É possível conceber a alteridade, a experiência da diversidade pulsando na vida pública em um regime fascista? Essa questão talvez seja um dos questionamentos/acusações centrais de Um Dia Muito Especial (Una Giornata Particolare, 1977), filme que a Fora da Asa te convida para assistir conosco na 4a edição do CINE DEBATE LGBT.

Um Dia Muito Especial – dirigido por Ettore Scola – talvez não possa ser entendido como um típico filme LGBT, mas trata de um tema que parece nos dizer muito hoje: o desejo moralizante, o desejo de poder sobre os comportamentos considerados fora da norma, como se norma houvesse para o ato sempre inaugural que forja o ser humano.

Vencedor do Globo de Outro de Melhor Filme Estrangeiro, Um Dia Muito Especial nos dá a possibilidade de vivenciar, via cotidiano, a experiência totalitária do fascismo italiano. O enredo se passa em um dia, o histórico dia da visita de Hitler à Itália, com o objetivo de firmar um acordo com Mussolini. Enquanto polpas e delírios se dão na esfera pública da cidade de Roma, em um privado prédio residencial uma história muito mais interessante acontece: O encontro casual entre Antonietta, uma dona de casa convencional, e Gabriele um ex-locutor de rádio que foi afastado de seu cargo por ser homossexual e por ser contra o regime nazifascista. Os dois eram vizinhos e sequer se conheciam e, devido a um acidente fortuito e simbólico, travam uma relação de um dia.

Antonieta, ao sair do território conhecido e seguro de sua casa, irá se deparar com o território desconfortável de encontrar um homem sensível, inteligente, que vive em um ambiente cercado de livros e, acima de tudo, é tão diferente de seu marido.

Entre Gabriele e Antonieta surge uma relação de violento aprendizado: Gabriele – tolhido em sua existência afetiva, sexual e política – deseja acima de tudo falar o que sente e o que pensa nem que seja a custa de causar dor nas concepções de mundo tão limitadas e pouco problematizadoras de Antonieta. Ele, ao longo dos diálogos e do filme, vai sendo tomado pelo desejo de deslocar a dona de casa de seu mundo que entende o comportamento humano tão fechado a regras que não foi ela mesma quem criou.

A arte tem poder de tessitura. Tece a maneira como enxergamos o mundo e outro. E tece no sentido de que enxerguemos os outros em sua diversidade, em sua alteridade radical. A arte é o contraponto do totalitarismo, é o contraponto do fascismo que – moralizante – deseja unificar existências.

SOBRE O DEBATEDOR:

Tiago Martins de Morais é professor e escritor – autor de A Última Noite do Tempo (2013) e Poema Escuro (2017). Integrante da Fora da Asa, foi o idealizador e o mediador do curso “Corpos que Podem: Escrita autoficcional sobre a experiência de corpos gays, lésbicos, bi e trans”. Graduado em Letras, Mestre em Literatura, atualmente cursa Doutorado em Educação na UFRGS, pesquisando sobre a potência ética da Arte e da Literatura na formação de professores.

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